2025 foi um daqueles anos em que muita coisa caiu por terra.
Narrativas fáceis. Soluções mágicas. PowerPoints bonitos que não se sustentam na prática.
E, curiosamente, foi também o ano em que o design começou a ser levado a sério por quem precisava sobreviver, não apenas parecer moderno.
As empresas que atravessaram 2025 com menos ruído, menos desperdício e mais clareza não foram, necessariamente, as mais barulhentas.
Foram as que entenderam que design não é estética.
É estrutura.
É escolha.
É decisão.
Design, em 2025, passou a funcionar como sistema operacional do negócio: conectando estratégia, produto, tecnologia, pessoas e narrativa. Quem tratou assim, sentiu a diferença. Quem não tratou… sentiu também.
O que funcionou em 2025 (sem romantizar)
Funcionou usar design para reduzir atrito, não só para “deixar bonito”.
Funcionou usar pesquisa e protótipo para errar mais cedo e mais barato, em vez de corrigir no SAC.
Funcionou alinhar discurso e prática, porque o consumidor ficou menos paciente com incoerência.
Um exemplo claro disso foi o iFood. Não porque tudo é perfeito (longe disso) mas porque o design ali não vive só na interface. Vive na logística, na comunicação, nos fluxos, na tentativa constante de tornar uma operação caótica… utilizável.
Quando melhora, vira conversão.
Quando falha, vira perda real. E isso é design atuando onde dói: no resultado.
Outro caso interessante é o Grupo Boticário, que há tempos entende que design não é só frasco ou campanha. É posicionamento, experiência, ESG, tecnologia e coerência. Quando a marca fala de diversidade, sustentabilidade ou inovação, isso aparece na forma como ela se apresenta, opera e se relaciona. Design ali funciona como tradutor de complexidade e isso vale muito.
As verdades menos confortáveis de 2025
Vamos ser honestos.
Teve muita empresa comprando “design” como quem compra papel de parede novo para uma casa com infiltração.
Logo rápido não resolve cultura confusa.
UI bonita não salva produto mal definido.
Branding inspirador não compensa atendimento ruim.
E não, colocar “design thinking” no slide não muda uma organização que continua decidindo tudo por ego, hierarquia ou achismo.
O usuário percebe. Sempre percebe.
O que 2026 está escancarando desde já
Algumas tendências já estão claras. Não porque são modinha, mas porque viraram necessidade:
- Design + IA, com critério
O ponto deixou de ser “usar IA”.
Agora é como, onde e com quais limites.
Design passa a ser curadoria, governança e responsabilidade. Quem tratar IA como brinquedo vai pagar com ruído ou reputação. - Design dentro da estratégia, não só da interface
Mapa, jornada, protótipo e visualização começam a aparecer na mesa da liderança. Estratégia só em texto e planilha não dá mais conta da complexidade. - Sustentabilidade sem maquiagem
Menos campanha, mais sistema.
Design vai ser cobrado para redesenhar processos, cadeias e experiências, não apenas narrativas bonitas sobre propósito. - Experiências híbridas de verdade
O cliente não separa físico, digital, conteúdo e comunidade. Quem continuar projetando tudo em silos vai seguir remendando a jornada. - Design como alfabetização organizacional
Não dá mais para design morar só no time criativo. Em 2026, empresas mais maduras vão ensinar liderança, produto e operação a pensar visualmente, testar hipóteses e tomar decisões mais claras.
Um ponto final (ou inicial)
Talvez a maior lição de 2025 seja simples:
design não é sobre “fazer algo bonito no final”.
É sobre pensar melhor desde o começo.
Existe saída para muita coisa que hoje parece travada.
Mas ela quase nunca vem em forma de peça pronta.
Vem em forma de conversa difícil, diagnóstico honesto e redesenho de estrutura.
2026 promete ser um ano menos tolerante com improviso bonito e mais generoso com quem escolhe pensar antes de executar.
E isso, gostemos ou não, muda bastante o jogo.
