18 horas atrás

Design e economia circular: quando o lixo vira estratégia

Durante muito tempo, sustentabilidade foi tratada como “tema de campanha” ou requisito de certificação. Em 2026, o cenário é outro: a economia circular vira pauta estratégica, regulamentação, semana nacional no Senado e guia prático para empresas brasileiras que querem ser competitivas sem esgotar recursos.

Esse movimento muda profundamente o papel do design. Se o modelo linear clássico seguia a lógica “extrair–produzir–descartar”, a economia circular propõe que a gente desenhe produtos e serviços para durabilidade, reparo, reuso, recondicionamento e reciclagem, mantendo materiais no seu maior valor pelo máximo de tempo possível. Em outras palavras: design deixa de ser só “como fica” e passa a ser “como entra, circula e sai do sistema”.

Quando olho para o mercado brasileiro, vejo três frentes interessantes onde o designer pode se posicionar como articulador:

  1. Dentro das empresas, redesenhando produtos, embalagens, serviços e experiências para geração mínima de resíduos, maior vida útil e maior transparência sobre ciclo de vida.
  2. Na relação com políticas públicas, conectando programas de fomento, eventos de inovação aberta e agendas como a Semana de Economia Circular com projetos concretos, que envolvem indústria, varejo e serviços.
  3. Na interface com a sociedade, ajudando consumidores a entenderem o que é circularidade na prática: reparo, reuso, logística reversa, novos modelos de consumo e de propriedade.

Há um detalhe que considero essencial nessa história: circularidade não é só uma pauta ambiental. Os projetos e legislações mais recentes falam explicitamente de geração de empregos, inclusão de diferentes grupos sociais, desigualdades de gênero e raça e modelos de negócio mais resilientes. Ou seja, design circular é também design social e econômico.

A boa notícia é que esse campo é ideal para designers com olhar sistêmico. Quem sabe navegar entre materiais, cadeia produtiva, jornada de uso, tecnologia, comunicação e políticas públicas tem um espaço enorme para atuar como conselheiro externo, facilitador de decisões e criador de protótipos que aproximam teoria de prática. É aqui que design deixa de ser um “custo” e se torna laboratório estratégico de inovação regenerativa.

Se eu pudesse sugerir um próximo passo para empresas e designers, seria simples: começar mapeando onde o lixo está escondido na operação – tempo, materiais, energia, dados, talento humano. O resto da conversa sobre economia circular começa daí.

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