Varejo: +6,9% em abril.

O volume de vendas no varejo brasileiro subiu 6,9% em abril, na comparação com o ano passado. No acumulado dos primeiros 4 meses de 2008 a elevação ficou em 4,5%. Quem garante é a pesquisa mensal do comercio, divulgada ontem pelo IBGE.

Boa parte da explicação para esse bom resultado está no calendário. Em 2008 a Páscoa caiu em março e neste ano ficou em abril. Não é a toa que a maior contribuição para esse crescimento foi dada pelos super e hipermercados, que se fartaram de vender ovos de páscoa, ajudados pela estabilidade dos preços e pelo aumento real da massa salarial. Também tiveram bom desempenho as lojas de departamento, os produtos farmacêuticos, cosméticos e produtos de informática e comunicação.

Por outro lado, puxaram o índice para baixo o setor de móveis e eletrodomésticos, que apresentou queda de 10% no volume de vendas e as lojas de tecidos, calçados e vestuário, cujas vendas continuam em queda. Só nesses 4 meses de 2008, a retração foi de 7,5%. Também pudera – enquanto o IPCA variou 3,1% de setembro do ano passado até abril desse ano, os preços médios das roupas subiram 6,2%, ou seja, o dobro. Materiais de construção e veículos também andaram para trás em abril.

Alguns estados tiveram desempenho ainda melhor que a media nacional, caso de São Paulo, onde o volume de vendas foi quase 10% maior e Paraná, que cresceu quase 9%. Bahia ficou bem perto da media nacional, com mais 6,8%. Já o Rio e Minas cresceram menos que a media, apenas 5,4%, assim como o Rio Grande do Sul, que avançou 2,6%. Já Brasília fez feio – vendeu menos 0,4% que em abril de 2008.

Fonte: Blog do Marinho

Crescimento. Pequeno. Mas crescimento…

O ritmo de crescimento do consumo das famílias entre janeiro e março desse ano apresentou desaceleração em relação ao mesmo trimestre do ano passado, ficando em 1,3%. Nos últimos três meses de 2008, a taxa de consumo dos brasileiros havia crescido 2,2% ante o último trimestre de 2007. Os dados foram divulgados nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e compõem o Produto Interno Bruto ( PIB) do primeiro trimestre de 2009, que registrou queda de 1,8% em relação ao crescimento da economia no primeiro trimestre de 2008. Apesar da desaceleração, o consumo das famílias brasileiras ajudou na formação do PIB, impactando positivamente o resultado pelo lado da demanda. O crescimento de 1,3% é o 22º consecutivo na comparação anual. De acordo com a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis um dos fatores que influenciaram o consumo foi o aumento da massa salarial, embora esta também tenha reduzido o ritmo de crescimento de 7,6% no quarto trimestre de 2008 em relação ao mesmo período do ano anterior, para 5,2%. “Analisando a série, observamos uma queda [do consumo das famílias] no quarto trimestre de 2008 em relação ao terceiro. Agora, observamos um aumento em relação ao último trimestre do ano passado”, avaliou. “Percebe-se a continuidade do crescimento da massa salarial real, o que dá uma sustentabilidade ao consumo das famílias”, explica. Favorecida pelo aumento da massa salarial e da oferta de crédito para pessoas físicas, segundo o IBGE, o consumo das famílias acumula crescimento de 4,1% nos últimos doze meses. Fonte: Agência Brasil

O Marinho e o mercado comentam a venda do Ponto frio.

A compra do Ponto Frio pelo Pao de Açúcar pode ser compreendida como mais um sinal de que os empresários brasileiros estao apostando na retomada dos negócios em padrao semelhante ao que assistimos no passado recente. O setor de eletroeletrônicos vinha passando por um período de baixa nos últimos 6 meses, especialmente em funçao da retraçao do crédito. A isençao de IPI oferecida pelo governo para alguns produtos, como geladeiras, lavadoras e fogoes, já deu um certo alívio ao comércio e começa também a afetar positivamente a indústria, que voltou a receber encomendas mais fortes. A melhoria dos indicadores econômicos permite prever uma retomada do consumo de eletroeletrônicos, especialmente pelos consumidores de classe média e de baixa renda, que interromperam, a contragosto, a tarefa de equipar suas casas.

Foi nesse cenário que o Ponto Frio, que era a 2a maior rede de eletroeletrônicos do país, passou a ser disputada por diversos grupos e acabou adquirida pelo Pao de Açúcar, que assim se credencia a brigar com o líder, as Casas Bahia, que lideravam com muita folga esse mercado. Vale lembrar que o Pao de Açúcar tem experiência no setor, por conta da rede Eletro, e possui dentro dos seus hipermercados um bom espaço dedicado a eletrônicos, eletrodomésticos, celulares e informática.

Os consumidores tendem a ganhar com o negócio. Afinal, o Ponto Frio vinha perdendo mercado nos últimos 2 anos e agora deve voltar a se expandir, aumentando o nível de competiçao. E todo mundo sabe que mais concorrência de mercado é sinal de melhores ofertas para os consumidores. O fortalecimento dessa rede também deve ser boa para a indústria e para o emprego – em entrevista concedida ontem o presidente do conselho do Grupo Pao de Açúcar, Abílio Diniz, disse que a idéia nao é reduzir lojas e sim abrir mais.

Muitos especialistas acreditam que a marca Ponto Frio, desgastada e sem um posicionamento muito nítido, deve desaparecer no médio e longo prazo, talvez substituída pela própria marca do Pao de Açúcar, a Eletro. Opiniao diferente possui Marcos Gouvêa de Souza, um dos mais importantes consultores de varejo do país, com quem conversei ontem. Ele avalia que a marca Ponto Frio é muito mais forte do que a Eletro. Além disso, em 8 estados onde a marca Ponto Frio está presente, nao há lojas do Pao de Açúcar. Ou seja, nao valeria a pena começar do zero nesses locais. Tudo isso interessa de perto as agências de publicidade que hoje atendem ao Ponto Frio, (Fala e DM9DDB). Mas nao custa nada lembrar que o Pao de Açúcar gosta bastante de trabalhar com house-agency, o que seria na visao da empresa uma forma de economizar.

Esse movimento do Pao de Açúcar evidencia a estratégia de diversificaçao de negócios do conglomerado de Abílio Diniz, que já opera, além do setor de alimentos, uma ampla variedade de produtos em seus hipermercados Extra, bem como drogarias e postos de combustíveis. O grupo tem ainda investido bastante em sua marca associada a estilo de vida saudável, a Taeq, que deixou de ser sinônimo de alimentos naturais para vender roupas esportivas, produtos de cama, mesa e banho, cosméticos etc. Por trás disso tudo haverá uma poderosa empresa de serviços financeiros, surgida provavelmente da fusao das financeiras do Ponto Frio com a do Pao de Açúcar, e uma renovada estrutura de e-commerce, reforçada pela boa equipe da pontofrio.com. Sao poucas as chances de dar errado.

Fonte: Blog do Marinho

Jack London, falando de varejo, crise, tecnologia…

“O setor que mais utilizou a internet no Brasil foi o setor bancário”, afirma Jack London

Economista, empresário e escritor, Jack London foi o primeiro a entrar no e-commerce no Brasil criando o site Booknet. Sua frase mais famosa – “No século 21 a ignorância será uma opção e não mais uma condenação” – traduz bem o clima de seu palestra durante a 13ª Convenção do Comércio e Serviços do Rio Grande do Norte, realizada semana passada em Natal. Com bom humor, o palestrante trouxe para a plateia de empresários as expectativas do comércio eletrônico para os próximos anos e apresentou formas de como o varejo poderá se utilizar (e já se utiliza) de recursos que a internet oferece. Um exemplo disso é o Twitter, sistema de micro-blogging, que já é utilizado por diversas empresas para divulgar promoções e produtos. Para London, o comércio tradicional como ele existe hoje vai mudar. As lojas vão acabar? Não. Mas quem não entender que este é um momento de transformação da forma de vender está fadado a sumir. E não só o varejo será afetado pela tecnologia que avança cada vez mais rápido: a política, a educação. Telefone fixo, aparelho de fax, CDs e DVDs são exemplos de instrumentos citados por ele que desapareceram ou vão desaparecer com a evolução de novos meios tecnológicos. Nessa entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Jack London fala sobre o panorama mundial da internet e como ela vai revolucionar cada vez mais a vida dos consumidores e empresários.

No momento em que se fala o tempo todo em crise econômica, com a revolução tecnológica o comércio tradicional também entra em crise?

Eu acho que essa crise que estamos vivendo tem dois lados. A gente percebe isso com a forma dos chineses se expressarem: o ideograma deles para a palavra crise é “caos” mais “oportunidade”. Ou seja, toda crise desse tamanho também traz muitas oportunidades. A gente sempre vive crises, vamos viver, a vida é assim. Mas as oportunidades que nascem depois delas são muito grandes. E acho que uma das oportunidades que temos agora é repensar a nossa maneira de ver o mundo e como a gente organiza o mundo dos bens e serviços. Estávamos chegando no limite da depredação de meio ambiente, da incapacidade de compreendermos e imaginarmos a continuidade. Uma economia eminentemente baseada no crescimento é um ideia absolutamente destrutiva. Não pode haver crescimento permanente, ilimitado. Então, nessa retomada da economia, a a utilização dos meios tecnológicos vai ser vital. Você vai ver cada meio sendo usado. O comércio eletrônico vai crescer muito e a utilização dos equipamentos será cada vez maior. Gente que mesmo hoje estava fora do comércio eletrônico, na hora que essa crise começar a se transformar em oportunidade vai verificar que a maneira como trabalha, como aborda o mundo, vai precisar cada vez mais dos meios eletrônicos.

Mas então as lojas físicas como conhecemos hoje e os centros de consumo como os shoppings estão fadados a acabar?

Não. Não vão acabar, não. Eu sustento a tese de que nada vai acabar. Por exemplo, o teatro. Até o começo do século 19, nenhuma pessoa saía de casa no Brasil para se divertir se não fosse para ir ao teatro. Você pega as estatísticas e vê que 100% dos brasileiros, principalmente nas grandes cidades, saíam de casa para ir ao teatro. Por quê? Porque só havia o teatro. Aí veio o cinema, a primeira tecnologia industrial. Muita gente disse o seguinte: “Quando o cinema se impuser, o teatro acaba”. O teatro não acabou. Mas ele mudou. Ele se tornou uma forma de entretenimento marginal. No Brasil hoje, por exemplo, menos de 0,5% das pessoas que saem de casa para se entreter vão ao teatro. Mas o teatro acabou? De jeito nenhum. Mas é o mesmo que era antes? Não é mais. Vamos dar exemplos de algumas coisas que já impactaram no comércio. Vou citar um modelo de comércio que são as lojas de linha branca. No Rio de Janeiro e São Paulo, temos a Lojas Americanas. Como era o modelo delas antes da internet? Era sinônimo de grandes lojas, de 2 mil, 2,5 mil, 3 mil metros quadrados, com milhares de mercadorias lá dentro. A Lojas Americanas não abre uma unidade desse tamanho há dois anos. Eles agora criaram um modelo que se chama Americanas Express, que já tem em Recife. É uma loja de 400 metros com uma placa enorme na parede dizendo: “200 mil produtos você encontra no nosso site na internet”. E aí a loja tem uma bateria de computadores para você comprar esses 200 mil produtos. Acabou o modelo da Lojas Americanas? Acabou a Lojas Americanas? Não. Mas é outra, mudou. 30% das vendas são feitas pela internet.

Quem não mudar então está fadado a sumir?

Sim. Os shoppings que você perguntou. Eles vão ser cada vez mais entretenimento e alimentação. Entretenimento de qualidade. Os cinemas atuais também vão todos morrer porque só existirão salas 3-D. Hoje temos condição de produzir uma imagem de tela grande em casa, mas ainda não temos 3-D. Lojas de produtos serão cada vez menos. Esse fenômeno a gente já vê em Rio de Janeiro e São Paulo. Há vários shoppings que passaram de lugares de lojas para áreas de entretenimento e alimentação. A única coisa que a internet não mexe hoje é a alimentação. Isso porque ainda não dá para gente comer virtualmente. Mas qualquer dia alguém descobre como é que faz isso.

O senhor cita grandes centros como o Rio de Janeiro e São Paulo. Mas no Brasil como um todo o comércio eletrônico já é uma ferramenta bem difundida?

Sim, com certeza. Existe um site chamado E-bit que dá as estatísticas de comércio eletrônico do Brasil inteiro. Existem alguns itens em que 60% das vendas já são feitas pela internet. Sabe quais são as cidades que mais compram hoje pela internet? Não são as grandes. São as médias. Campinas (SP), por exemplo, é campeã brasileira de compras pela internet. Mas isso é fácil explicar: o morador de classe média para alta, instruído, com recursos. Mas o comércio de Campinas não tem a mesma qualidade de produtos que o comércio de São Paulo, capital. Então aquele cidadão tem o mesmo padrão de consumo da capital, mas não tem o produto para consumir ali. Ele então vai buscar o que procura na internet. Campina Grande, na Paraíba, tem um índice enorme de compras pela internet. Brasília é uma coisa impressionante (em matéria de comércio eletrônico). É curioso isso. E esse hábito está se espalhando pelo país.

Essa é uma tendência mundial. Mas quais vantagens do comércio eletrônico hoje tanto para quem compra quanto para quem vende?

Para quem vende é uma redução de custos monumental. Quando a gente fala em comércio eletrônico a gente sempre fica na cabeça com a ideia de calças, camisas, relógios, produtos. Mas o setor que mais utilizou a internet no Brasil foi o setor bancário. São transações eletrônicas comerciais. Sabe quanto do movimento bancário do brasileiro hoje é feito pela internet? 78%! Os bancos mudaram suas vidas e de seus clientes. Aquela coisa da ação presencial no banco está se acabando. Cada vez mais as pessoas vão menos ao banco, os bancos são cada vez menores, são cada vez menos agências de bancos. E o estímulo que o banco te dá para que seja utilizada a internet ajuda nessa mudança de perfil. Há produtos que, se você fizer a transação pela rede, a taxa que você paga é metade da que você teria. Os bancos reduziram a quantidade de funcionários. Eram 600 mil bancários e hoje são 405 mil.

Em sua palestra durante a 13ª Convenção do Comércio e Serviços, o senhor citou algumas ferramentas bem atuais da tecnologia como é o caso do Twitter.

Como uma empresa varejista pode se utilizar de um meio como esse hoje?

É muito simples. É só entrar no site, se cadastrar e começar a fazer ofertas na rede pelo Twitter, por exemplo. Descrever o funcionamento da loja, inserir ofertas. Ao invés de inserir suas notícias pessoais, você insere as notícias da loja.

Existem exemplos desse uso do Twitter aqui no Brasil e que esteja sendo bem sucedido?

Sim. Temos vários que têm funcionado muito bem. Grandes jornais já estão todos no Twitter, as revistas, alguns magazines. Se não me engano, o Ponto Frio já está no Twitter. Acaba virando uma coisa comercial. Você cria lá o perfil: “Este é o Twitter do Ponto Frio” e coloca: “Nas próximas duas horas, nas lojas de não-sei-onde vai ter um desconto de 70% nos produtos. Tem que dizer que entrou no Twitter”. Pronto e aí, vai…

Então as empresas vão cada vez mais utilizar esses serviços para se beneficiar e crescer?

Sim. Daqui há dez anos, não haverá política sem internet. A próxima eleição já será altamente influenciada pelo uso da internet. O exemplo do (Barack) Obama está se espalhando pelo mundo inteiro (Durante a eleição presidencial nos Estados Unidos, o atual presidente utilizou o Twitter como uma de suas ferramentas do pleito não só para que os eleitores o “seguissem” no site, mas também para arrecadar fundos para sua campanha). A capilaridade que a internet permite em termos de adesão, em termos de coordenar as coisas é enorme. Hoje se pode fazer um comício pela internet para um bilhão de pessoas.

Essa tecnologia e mudanças são positivas na sua opinião para o comércio?

Acredito que são muito positivas, sim. Elas cada vez trazem mais bolsões de pessoas para participar do consumo. O que era o comércio no Brasil há 20 anos? Era um comércio de elite só. Apenas uma alta camada da população comprava. O que era a educação há 20 anos? O que era a política? E por aí vai. A tecnologia no caso ela é mero instrumento. Ela não muda nem a política, nem as ideias nem a forma de governar. Há quem ache por exemplo que a política termina com a corrupção. A gente vê isso nos jornais o tempo todo. Ela não termina com a corrupção. A corrupção é do ser humano. É como a internet que também pode ser um instrumento para combatê-la. É o exemplo de ONGs que mantém sites como o Contas Abertas. Quando que um cidadão ia ter acesso a uma informação daquelas? Quero saber quanto o governo do Amazonas gastou no último ano com estradas: ele coloca na tela em um instante como informação. E o que é isso como instrumento de pressão política?

Mas essa tese de que a internet permite um acesso maior da população às informações, não se torna falha quando a gente sabe que poucos lares brasileiros estão ligados à rede hoje?

Essa frase também está ficando antiga. O acesso maciço da internet não será mais por essas maquininhas que estão em nossos lares. Será por outra que carregamos no bolso (celular). Praticamente todos os brasileiros têm celular, todos! É normal. Em Portugal, cada cidadão tem dois aparelhos, em média. Na Coréia do Sul, são três. Agora daqui há três anos, o aparelho celular que eu carrego vai virar lixo. Como já virou na Coréia, como já virou em Portugal. E os celulares no futuro sairão de fábrica com acesso à internet.

O senhor não acha que as pessoas acabam perdendo sua privacidade no meio de tanta tecnologia?

Sim, perde. Se você quer conhecer mais, ao mesmo tempo você precisa ser mais conhecido. As pessoas têm que saber quem você é. Não adianta mentir e dizer que não perde privacidade com esse mundo digital.

Mas com isso o senhor acha que mais à frente as pessoas podem ter uma tendência de retorno para buscar mais privacidade?

Sim, claro. Podem haver grandes dificuldades. Mas isso acontece cada vez que você lida com tecnologia. Você sabe mais que seu pai; seu pai sabe mais do que sabia seu avô. É um caminho

Vinícius Albuquerque

Fonte: Tribuna do Norte

Tiro no pé…

A crise econômica global tem produzido reaçoes aparentemente contraditórias no que diz respeito ao marketing verde. De um lado, o periodo de vacas magras faz com que muitos se questionem sobre o padrao de consumo adotado nos últimos tempos. De outro, levam empresas preocupadas com a sobrevivência a cortar ou reduzir investimentos em sustentabilidade.

Especialmente nos países desenvolvidos, floresce o sentimento de que, hoje, chique mesmo é consumir de maneira consciente, valorizando o essencial. Em boa parte, esse amadurecimento se deve à crise, que obriga cidadaos de diversas naçoes a distinguir o prioritário do descartável em suas vidas, mantendo apenas o que possui realmente importância em suas listas de compras. Valores como simplicidade, autenticidade e sustentabilidade substituem ostentaçao e novidades descartáveis. Produtos mais fáceis de usar ganham mercado, nao apenas porque sao mais baratos, mas principalmente porque ajudam a simplificar uma vida que já anda complicada demais.

No Brasil, empresas que se dedicam a causas sócio-ambientais sao cada dia mais admiradas. É verdade que somente uma pequena parcela dos consumidores se mostra disposta a traduzir essa admiraçao em preferência no ponto de venda. Mesmo assim, as declaraçoes de apoio ao discurso da sustentabilidade ganha aos poucos espaço também em nosso país. Apesar disso, estudo global da consultoria inglesa New Energy Finance revelou que os investimentos das empresas em energia limpa caíram 53% no 1o trimestre de 2009, em relaçao a 2008. No Brasil, apenas na comparaçao entre os primeiros 3 meses deste ano e os 3 últimos do ano passado, o recuo foi de 76%. O motivo é a crise. No dilema entre sanear o caixa e fazer o que é certo, as corporaçoes escolhem o caminho da sobrevivência no curto prazo, a despeito do que pensam seus clientes.

Quem mais perde com essa atitude adotada por inúmeras companhias globais é o planeta e seus habitantes – ou seja, cada um de nós. Entretanto, no médio e longo prazo o malefício pode estender-se para a imagem dessas empresas e dos produtos ou serviços que comercializam. Afinal, como diversas pesquisas comprovam, apesar de relutante em fazer a sua parte, o consumidor espera mais das corporaçoes do que dos seus Governos na defesa do meio ambiente.

Luiz Alberto Marinho

Fonte:  BlueBus

Nada mais abstrato que dinheiro

Esse texto do Luli é magnífico!

Estou pensando em repiti-lo toda a semana!!! rs

A forma mais fácil de ver um trabalho valorizado é tornar clara sua importância.

junho de 2008 – Revista Webdesign nº 54

Pouco importa o momento em que está na carreira, o designer sempre enfrentará um corpo-a-corpo com uma das forças mais angustiantes de seu trabalho: o orçamento. Isso não significa apenas que ele gaste demais ou compre o que não precise (todos sofremos desse mal, pouco importa a profissão) mas que enfrente uma dificuldade enorme em cobrar por seus serviços. E mesmo quando finalmente consegue chegar a uma fórmula para calcular o valor das peças que cria, a resistência que enfrenta em seu cliente costuma ser gigantesca: não importa o valor, ele sempre será considerado caro demais.

A dificuldade em se estabelecer um orçamento é compartilhada com arquitetos, músicos, cenógrafos, artistas plásticos, atores e profissionais das áreas chamadas de “criativas” em geral. O produto que entregam não pode ser medido em gramas, centímetros ou litros. Nem mesmo em horas: certas idéias geniais são criadas em segundos enquanto outras podem demorar uma eternidade. Isso sem contar que o processo ainda pode ser sabotado por bloqueios, variações de humor ou outras greves das fontes produtoras.

O grande problemas que as peças de valor intangível enfrentam é que elas são… bem, intangíveis. O termo vem do latim e quer dizer “aquilo que não pode ser tocado” mas que não é, por isso, menos importante. Música, por exemplo, é completamente inútil do ponto de vista racional, mas viver sem ela é como viver sem perfume, beleza, alegria ou cor: um baita desconforto. Esse tipo de grandeza sensorial, que não se comunica através de símbolos mensuráveis, mas se expressa através de sentimentos, foi associado a experiências místicas em muitas culturas. Em um mundo que transferiu o mistério da transcendência para a máquina e os processos digitais, ela é o máximo da grandeza “virtual”.

Essas forças imateriais da percepção parecem mágicas por causa de uma espécie de fundamentalismo do pensamento ocidental. Ao levar ao pé da letra algumas das idéias de Platão amplificadas pelas três grandes religiões, o homem criou uma falsa oposição entre o “abstrato” e o “concreto”, como se a idéia do que é uma maçã pudesse ser separada do fruto, ou como se o amor pudesse existir sem a pessoa amada. Em uma velha piada, um filho pergunta ao pai o que significa “abstrato”. O pai responde que é aquilo que não pode ser tocado. O filho, então, pergunta: “como Deus ou como um espinheiro?”

Na verdade as duas noções são igualmente abstratas e dependem da relação que se estabelece com elas. Uma maçã, como um layout ou um ser humano, sempre será parecida com outros elementos da sua mesma classe e, ao mesmo tempo, completamente diferente de seus companheiros. Como uma maçã não pode ser definida em termos absolutos, aceita-se que uma determinada categoria, medida em valores absolutos de peso, tamanho, grau de amadurecimento e procedência seja “correta” – e se despreza o resto.

Em grandezas intangíveis não é assim tão fácil. Não existe o layout ou a cor ou a música corretas porque cada pessoa reage a estímulos de forma diferente. Ao montar um projeto de comunicação visual o designer precisa se basear em estimativas e testar combinações para conseguir a resposta mais adequada. Como tons em uma música ou temperos em uma comida, essas combinações não são fáceis nem exatas porque cada novo ingrediente interage com todos os demais e interfere no resultado final.

Designers criativos costumam ser curiosos e apresentar interesse por quase todas as outras áreas de conhecimento. Eles só não se interessam por aquelas que lidam com valores quantificáveis, como Engenharia e Economia. Pelo contrário, parece haver um desprezo mútuo entre os usuários de HP e os de Macintosh, no melhor estilo cigarras vs. formigas. É uma pena.

As áreas de arte e finanças não são opostas, mas complementares. Você pode até ter uma grande idéia usando apenas uma dessas formas de conhecimento, mas vai ser muito mais eficiente se usar as duas – e elas sempre estarão à disposição.

Por isso, ao apresentar uma proposta de design, use termos financeiros. Os objetivos foram bem definidos? Pois bata o pé até que o sejam, ninguém constrói uma estrada sem saber aonde ela vai dar. Seu projeto vai aumentar o tempo de uso? Diminuir o número de páginas? Tornar as opções mais claras? Estimular o consumo? Aumentar a lucratividade? Reduzir custos de suporte? Reduzir tempo de programação? Tornar o usuário mais satisfeito? Pois então diga isso claramente. Se possível, quantifique, exemplifique, demonstre.

Não faça aquele sujeito que tem uma baixa capacidade de abstração estética “supor” coisas. Nada é pressuposto.

E tudo tem seu preço. Se possível, divida o (re)design em partes e tente classificá-las em ordem de importância e preço. Algo que dê trabalho, custe caro e seja irrelevante deve ser evitado. E o contrário deve ser priorizado. Ao se comportar dessa forma, o designer mostra que é um especialista em termos que o seu cliente é capaz de entender. Melhor: em termos que tornam difícil combater ou rejeitar. Para o seu cliente, gosto se discute, números não. Você pode mostrar o contrário – e, no processo, chegar a uma negociação saudável em que ambas as partes ficarão satisfeitas.

Por mais que os artistas ou os técnicos tentem enganá-lo, saiba que nenhuma área funciona sozinha. Equilibrá-las é o que cria algo novo e funcional, bonito e prático.

Esse é o maior desafio da carreira de qualquer profissional.

Fonte: www.luli.com.br

Falando em vender produtos e entregar emoções….

No mercado de commodity é difícil para uma marca se diferenciar pelo simples fato de que a concorrência oferece o mesmo produto. Por isso, é cada vez mais necessário que as empresas deste setor ofereçam um diferencial emocional para o consumidor para que se crie um vínculo com eles. Neste mercado, as marcas consideradas mais fortes levam vantagem sobre as outras porque normalmente são elas as primeiras a apresentarem o produto ou oferecerem os mesmos de forma mais simples, explicativa ou com maior valor agregado.

Sabendo da dificuldade de se diferenciar, a Suvinil buscou o relacionamento com o consumidor e também com formadores de opinião, a fim de dar credibilidade à imagem da empresa. Por isso, a Suvinil patrocina a Casa Cor – mostra de arquitetura, decoração, design e paisagismo – que, de acordo com Fernanda Dall’Orto, Gerente da marca, está totalmente alinhada ao posicionamento da empresa e sempre fará parte do calendário da Suvinil.

Se no mercado em geral o vínculo emocional entre marcas e consumidores já é de suma importância para o sucesso nas vendas, quanto o assunto é commodity este vínculo deve ser elevado ao cubo, segundo Karina Milaré, Diretora de Planejamento da TNS Research International. Este é o principal desafio das empresas que compõem este mercado e será preciso mais do que uma simples ação de Marketing para diferenciar grãos de arroz de marcas diferentes.

Produtos iguais para consumidores diferentes

Num mundo em que muitos produtos acabam ficando commoditizados por não desenvolverem grandes diferenciais, a marca líder provavelmente foi a primeira que apareceu no segmento, entregou um diferencial de produto ou ainda criou uma conexão emocional que fez o consumidor despertar para a marca, segundo Karina, da TNS. Mas, as empresas que chegaram “atrasadas” não precisam perder as esperanças. “Para ganhar espaço no mercado de commodity sem ter sido a primeira a entrar no ramo, o jeito é criar uma conexão emocional e, consequentemente, um diferencial de marca”, diz Karina em entrevista ao Mundo do Marketing.

Para a própria Gerente da marca Suvinil, Fernanda Dall’Orto, o mercado de atuação da empresa não deve ser considerado commodity pelo fato da diferenciação de produtos dos concorrentes. Mas, no final, o que se vende é tinta e por isso a marca investe em branded content. Prova disso são as dicas de Marcelo Rosenbaum – criativo do quadro Lar Doce Lar do programa Caldeirão do Huck – no site Suvinil e em revistas.

A Suvinil fornece as tintas para o quadro e esta é uma maneira que a empresa percebeu para divulgar a marca através de formadores de opinião. “No mercado de tintas tem muito formador de opinião. Pode ser o pintor, o arquiteto, o decorador e até o balconista e eles têm atuação mais forte que em outros segmentos de consumo”, conta Fernanda Dall’Orto ao site.

Enaltecendo os diferenciais

O relacionamento da Suvinil com profissionais é baseado no Clube Amigo Suvinil. Este programa oferece a troca de informações com profissionais para que eles saibam qual a melhor forma de aplicar a tinta. Esta foi uma ideia que surgiu da necessidade dos consumidores da empresa de entregar o serviço para um profissional mais bem preparado e evitar o desperdício de uma mão-de-obra ruim.

Além de melhorar o serviço prestado pelo pintor, a Suvinil também oferece cursos para o consumidor que pretende aplicar a tinta sem contratar um profissional. “Entendemos que consumidores de classes mais baixas fazem o serviço de pintura, enquanto os mais favorecidos preferem pagar por um pintor. Mas também existem os consumidores que fazem por hobby, para se distrair”, entende Fernanda.

A Suvinil é uma marca forte e isso é cada vez mais relevante num cenário em que o mercado está caminhando cada vez mais para que muitos produtos virem commodities. Apesar da oportunidade que este setor oferece para que empresas se diferenciem através de ações mais emocionais, poucas praticam esta estratégia e este é o grande desafio para elas. “Por mais que a gente fale de emoção, pouca gente faz isso ainda. Muitas empresas focam em características do produto e poucas estão explorando bem o potencial emocional. O mercado não está tão maduro a ponto de cada marca identificar seu diferencial”, acredita Karina Milaré.

Commodity como tema de painel

Alinhada ao mercado de moda e qualidade de vida, a Suvinil cria alternativas criativas para estar perto do seu consumidor. “A tinta é peça chave em uma decoração de ambiente e a cor tem um vínculo com a moda. Por isso, divulgamos um estudo de tendências de cor”, afirma Fernanda Dall’Orto, da Suvinil. De acordo com ela, a tinta sem cheiro da marca é uma forma de contribuir com o bem estar dos consumidores. “Com esse produto não é preciso dormir fora de casa no dia da pintura e isto diminui o transtorno”, aponta.