Comunicação. Como integrar?…

Os seminários do festival de Cannes nao estao mais falando sobre a necessidade de integrar a comunicaçao tradicional (ou above the line) com as demais disciplinas (below the line). Isso já é fato. Mas o debate sobre como fazer isso acontecer na prática segue animado. Os clientes parecem desanimados diante do esforço de tentar coordenar diferentes agências e intermediar talentos complementares e egos. Prova disso foi a declaraçao de Jonathan Mildenhall, da Coca, no painel da Naked. Ele escolheu a dificuldade em integrar os diferentes silos da comunicaçao como uma das coisas que ele gostaria de nao precisar fazer.

No seminário da 180 Amsterdam, terminado agora há pouco, os executivos da agência tentaram puxar a brasa para a sardinha deles, vendendo a idéia de que um mesmo grupo, afinado com os objetivos e filosofias do cliente, pode oferecer soluçoes integradas por meio de suas diferentes divisoes (propaganda, digital, varejo etc), que podem ser contratadas em conjunto ou separadas. Para reforçar a mensagem, mostraram ótimas campanhas da Adidas (“+10” e “Impossible is Nothing”) feitas por eles. Mas nao trouxeram nenhum argumento definitivo, capaz de dar rumos novos a uma questao que continua aberta.

Luis Alberto Marinho – Cobertura de Cannes 2009

Fonte: Blog do Marinho

Bem, num primeiro momento, deixar essa integração por conta de uma agência que oferecesse ddivisões para atender todas as necessidades, parece o ideal. Mas, claro, não é.

Por quê?

Porque a visão, fica prejudicada. A agência, não está focada na estratégia de comunicação daquele cliente. Ela está dividida entre diversas estratégias, de diversos clientes diferentes. A agência, deve oferecer soluções apra questões estratégicas.. e não ser responsável pela estratégia.

Mas, o cliente também não deve administrar isso.  Porque a visão dele é ‘interna’ e isso prejudica a percepção.

Como resolver?

Na minha opinião, deve surgir aí a figura do ‘integrador’ que tem de ser uma pessoa externa ao cliente e à agência. Alguem que possa complementar a visão do problema pelo lado do cliente e fazer a ponte entre a estratégia traçada pelo cliente e as soluções apresentadas pela agência. Esse ‘integrador’ é um ponto de referência, um ‘advogado do diabo’ que age nas duas pontas acertando e ajudando a melhorar o conjunto. Um consultor. Um assessor.

Creio que o conhecimento do cliente, o conhecimento do mercado, a possibilidade de ‘conversar’ bem tanto com o marketing do cliente como com a(s) agência(s) deste cliente E a visão externa são as características principais para esta figura de ‘integrador de comunicação’.

Consumidores seguindo marcas? Ou marcas seguindo consumidores??…

Belo artigo do Marinho, falando sobre o pensam os executivos de marketing das grandes marcas, sobre as mudanças que tem de haver no marketing e na comunicação das empresas, devido a mudança de foco. Agora, o consumidor manda. Ele já não segue. Tem de ser seguido – ou ao menos acmpanhado, porque ele não vai mudar o ‘caminho’ dele, para seguir nenhuma marca…

E cada vez mais, está morrendo essa forma de pensar e agir que vem dos anos 60/70. Sai na frente, quem perceber isso primeiro.

Executivos desafiados e algumas vezes confusos com o novo cenário surgido a partir da rápida e dramática transferência de poder para os consumidores. Essa foi a tônica do painel coordenado essa manha aqui em Cannes por Paul Woolmington, fundador da Naked, que contou com a participaçao de Andy Berndt, do Google, Jonathan Mildenhall, da Coca, e Stefan Olander, da Nike. Depois de ouvir a conversa franca dos executivos de marketing dessas 3 grandes marcas fica claro que a comunicaçao tradicional, que interrompe a rotina dos consumidores, será gradualmente substituída por aquela que acompanha a jornada das pessoas ao longo da vida, ajudando a resolver problemas, inspirando-as e reforçando seus valores e ideais. “Nossa inspiraçao vem do que acontece na vida dos nossos clientes” – disse Olander, da Nike. “O papel do Google é oferecer instrumentos para melhorar a vida das pessoas”, concordou Berndt.  “A Coca Cola vende ideais com os quais todos se identificam” – diz Mildenhall.

Ao mesmo tempo em que o produto deixa de ser o único herói, a comunicaçao ganha importância e um novo papel. Mas tudo ainda é recente nesse novo mundo. A dificuldade em integrar as diferentes disciplinas e os diversos fornecedores, o fato de que os consumidores estao sempre em movimento e o receio de abrir mao do controle, transferindo para os indivíduos a iniciativa de ditar o tom de boa parte das conversas entre a marca e seus públicos, sao desafios que, por enquanto, ainda estao sendo equacionados.

Ninguém falou da morte dos veículos tradicionais, da falência dos modelos publicitários atuais ou sobre qualquer outra teoria simplificadora. Mas todos concordaram que a liderança do processo mudou de lado e agora pertence aos consumidores. E isso muda um bocado o jeito de fazer marketing e comunicaçao.

Luiz Alberto Marinho em Cannes

Fonte: BlueBus

Jack London, falando de varejo, crise, tecnologia…

“O setor que mais utilizou a internet no Brasil foi o setor bancário”, afirma Jack London

Economista, empresário e escritor, Jack London foi o primeiro a entrar no e-commerce no Brasil criando o site Booknet. Sua frase mais famosa – “No século 21 a ignorância será uma opção e não mais uma condenação” – traduz bem o clima de seu palestra durante a 13ª Convenção do Comércio e Serviços do Rio Grande do Norte, realizada semana passada em Natal. Com bom humor, o palestrante trouxe para a plateia de empresários as expectativas do comércio eletrônico para os próximos anos e apresentou formas de como o varejo poderá se utilizar (e já se utiliza) de recursos que a internet oferece. Um exemplo disso é o Twitter, sistema de micro-blogging, que já é utilizado por diversas empresas para divulgar promoções e produtos. Para London, o comércio tradicional como ele existe hoje vai mudar. As lojas vão acabar? Não. Mas quem não entender que este é um momento de transformação da forma de vender está fadado a sumir. E não só o varejo será afetado pela tecnologia que avança cada vez mais rápido: a política, a educação. Telefone fixo, aparelho de fax, CDs e DVDs são exemplos de instrumentos citados por ele que desapareceram ou vão desaparecer com a evolução de novos meios tecnológicos. Nessa entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Jack London fala sobre o panorama mundial da internet e como ela vai revolucionar cada vez mais a vida dos consumidores e empresários.

No momento em que se fala o tempo todo em crise econômica, com a revolução tecnológica o comércio tradicional também entra em crise?

Eu acho que essa crise que estamos vivendo tem dois lados. A gente percebe isso com a forma dos chineses se expressarem: o ideograma deles para a palavra crise é “caos” mais “oportunidade”. Ou seja, toda crise desse tamanho também traz muitas oportunidades. A gente sempre vive crises, vamos viver, a vida é assim. Mas as oportunidades que nascem depois delas são muito grandes. E acho que uma das oportunidades que temos agora é repensar a nossa maneira de ver o mundo e como a gente organiza o mundo dos bens e serviços. Estávamos chegando no limite da depredação de meio ambiente, da incapacidade de compreendermos e imaginarmos a continuidade. Uma economia eminentemente baseada no crescimento é um ideia absolutamente destrutiva. Não pode haver crescimento permanente, ilimitado. Então, nessa retomada da economia, a a utilização dos meios tecnológicos vai ser vital. Você vai ver cada meio sendo usado. O comércio eletrônico vai crescer muito e a utilização dos equipamentos será cada vez maior. Gente que mesmo hoje estava fora do comércio eletrônico, na hora que essa crise começar a se transformar em oportunidade vai verificar que a maneira como trabalha, como aborda o mundo, vai precisar cada vez mais dos meios eletrônicos.

Mas então as lojas físicas como conhecemos hoje e os centros de consumo como os shoppings estão fadados a acabar?

Não. Não vão acabar, não. Eu sustento a tese de que nada vai acabar. Por exemplo, o teatro. Até o começo do século 19, nenhuma pessoa saía de casa no Brasil para se divertir se não fosse para ir ao teatro. Você pega as estatísticas e vê que 100% dos brasileiros, principalmente nas grandes cidades, saíam de casa para ir ao teatro. Por quê? Porque só havia o teatro. Aí veio o cinema, a primeira tecnologia industrial. Muita gente disse o seguinte: “Quando o cinema se impuser, o teatro acaba”. O teatro não acabou. Mas ele mudou. Ele se tornou uma forma de entretenimento marginal. No Brasil hoje, por exemplo, menos de 0,5% das pessoas que saem de casa para se entreter vão ao teatro. Mas o teatro acabou? De jeito nenhum. Mas é o mesmo que era antes? Não é mais. Vamos dar exemplos de algumas coisas que já impactaram no comércio. Vou citar um modelo de comércio que são as lojas de linha branca. No Rio de Janeiro e São Paulo, temos a Lojas Americanas. Como era o modelo delas antes da internet? Era sinônimo de grandes lojas, de 2 mil, 2,5 mil, 3 mil metros quadrados, com milhares de mercadorias lá dentro. A Lojas Americanas não abre uma unidade desse tamanho há dois anos. Eles agora criaram um modelo que se chama Americanas Express, que já tem em Recife. É uma loja de 400 metros com uma placa enorme na parede dizendo: “200 mil produtos você encontra no nosso site na internet”. E aí a loja tem uma bateria de computadores para você comprar esses 200 mil produtos. Acabou o modelo da Lojas Americanas? Acabou a Lojas Americanas? Não. Mas é outra, mudou. 30% das vendas são feitas pela internet.

Quem não mudar então está fadado a sumir?

Sim. Os shoppings que você perguntou. Eles vão ser cada vez mais entretenimento e alimentação. Entretenimento de qualidade. Os cinemas atuais também vão todos morrer porque só existirão salas 3-D. Hoje temos condição de produzir uma imagem de tela grande em casa, mas ainda não temos 3-D. Lojas de produtos serão cada vez menos. Esse fenômeno a gente já vê em Rio de Janeiro e São Paulo. Há vários shoppings que passaram de lugares de lojas para áreas de entretenimento e alimentação. A única coisa que a internet não mexe hoje é a alimentação. Isso porque ainda não dá para gente comer virtualmente. Mas qualquer dia alguém descobre como é que faz isso.

O senhor cita grandes centros como o Rio de Janeiro e São Paulo. Mas no Brasil como um todo o comércio eletrônico já é uma ferramenta bem difundida?

Sim, com certeza. Existe um site chamado E-bit que dá as estatísticas de comércio eletrônico do Brasil inteiro. Existem alguns itens em que 60% das vendas já são feitas pela internet. Sabe quais são as cidades que mais compram hoje pela internet? Não são as grandes. São as médias. Campinas (SP), por exemplo, é campeã brasileira de compras pela internet. Mas isso é fácil explicar: o morador de classe média para alta, instruído, com recursos. Mas o comércio de Campinas não tem a mesma qualidade de produtos que o comércio de São Paulo, capital. Então aquele cidadão tem o mesmo padrão de consumo da capital, mas não tem o produto para consumir ali. Ele então vai buscar o que procura na internet. Campina Grande, na Paraíba, tem um índice enorme de compras pela internet. Brasília é uma coisa impressionante (em matéria de comércio eletrônico). É curioso isso. E esse hábito está se espalhando pelo país.

Essa é uma tendência mundial. Mas quais vantagens do comércio eletrônico hoje tanto para quem compra quanto para quem vende?

Para quem vende é uma redução de custos monumental. Quando a gente fala em comércio eletrônico a gente sempre fica na cabeça com a ideia de calças, camisas, relógios, produtos. Mas o setor que mais utilizou a internet no Brasil foi o setor bancário. São transações eletrônicas comerciais. Sabe quanto do movimento bancário do brasileiro hoje é feito pela internet? 78%! Os bancos mudaram suas vidas e de seus clientes. Aquela coisa da ação presencial no banco está se acabando. Cada vez mais as pessoas vão menos ao banco, os bancos são cada vez menores, são cada vez menos agências de bancos. E o estímulo que o banco te dá para que seja utilizada a internet ajuda nessa mudança de perfil. Há produtos que, se você fizer a transação pela rede, a taxa que você paga é metade da que você teria. Os bancos reduziram a quantidade de funcionários. Eram 600 mil bancários e hoje são 405 mil.

Em sua palestra durante a 13ª Convenção do Comércio e Serviços, o senhor citou algumas ferramentas bem atuais da tecnologia como é o caso do Twitter.

Como uma empresa varejista pode se utilizar de um meio como esse hoje?

É muito simples. É só entrar no site, se cadastrar e começar a fazer ofertas na rede pelo Twitter, por exemplo. Descrever o funcionamento da loja, inserir ofertas. Ao invés de inserir suas notícias pessoais, você insere as notícias da loja.

Existem exemplos desse uso do Twitter aqui no Brasil e que esteja sendo bem sucedido?

Sim. Temos vários que têm funcionado muito bem. Grandes jornais já estão todos no Twitter, as revistas, alguns magazines. Se não me engano, o Ponto Frio já está no Twitter. Acaba virando uma coisa comercial. Você cria lá o perfil: “Este é o Twitter do Ponto Frio” e coloca: “Nas próximas duas horas, nas lojas de não-sei-onde vai ter um desconto de 70% nos produtos. Tem que dizer que entrou no Twitter”. Pronto e aí, vai…

Então as empresas vão cada vez mais utilizar esses serviços para se beneficiar e crescer?

Sim. Daqui há dez anos, não haverá política sem internet. A próxima eleição já será altamente influenciada pelo uso da internet. O exemplo do (Barack) Obama está se espalhando pelo mundo inteiro (Durante a eleição presidencial nos Estados Unidos, o atual presidente utilizou o Twitter como uma de suas ferramentas do pleito não só para que os eleitores o “seguissem” no site, mas também para arrecadar fundos para sua campanha). A capilaridade que a internet permite em termos de adesão, em termos de coordenar as coisas é enorme. Hoje se pode fazer um comício pela internet para um bilhão de pessoas.

Essa tecnologia e mudanças são positivas na sua opinião para o comércio?

Acredito que são muito positivas, sim. Elas cada vez trazem mais bolsões de pessoas para participar do consumo. O que era o comércio no Brasil há 20 anos? Era um comércio de elite só. Apenas uma alta camada da população comprava. O que era a educação há 20 anos? O que era a política? E por aí vai. A tecnologia no caso ela é mero instrumento. Ela não muda nem a política, nem as ideias nem a forma de governar. Há quem ache por exemplo que a política termina com a corrupção. A gente vê isso nos jornais o tempo todo. Ela não termina com a corrupção. A corrupção é do ser humano. É como a internet que também pode ser um instrumento para combatê-la. É o exemplo de ONGs que mantém sites como o Contas Abertas. Quando que um cidadão ia ter acesso a uma informação daquelas? Quero saber quanto o governo do Amazonas gastou no último ano com estradas: ele coloca na tela em um instante como informação. E o que é isso como instrumento de pressão política?

Mas essa tese de que a internet permite um acesso maior da população às informações, não se torna falha quando a gente sabe que poucos lares brasileiros estão ligados à rede hoje?

Essa frase também está ficando antiga. O acesso maciço da internet não será mais por essas maquininhas que estão em nossos lares. Será por outra que carregamos no bolso (celular). Praticamente todos os brasileiros têm celular, todos! É normal. Em Portugal, cada cidadão tem dois aparelhos, em média. Na Coréia do Sul, são três. Agora daqui há três anos, o aparelho celular que eu carrego vai virar lixo. Como já virou na Coréia, como já virou em Portugal. E os celulares no futuro sairão de fábrica com acesso à internet.

O senhor não acha que as pessoas acabam perdendo sua privacidade no meio de tanta tecnologia?

Sim, perde. Se você quer conhecer mais, ao mesmo tempo você precisa ser mais conhecido. As pessoas têm que saber quem você é. Não adianta mentir e dizer que não perde privacidade com esse mundo digital.

Mas com isso o senhor acha que mais à frente as pessoas podem ter uma tendência de retorno para buscar mais privacidade?

Sim, claro. Podem haver grandes dificuldades. Mas isso acontece cada vez que você lida com tecnologia. Você sabe mais que seu pai; seu pai sabe mais do que sabia seu avô. É um caminho

Vinícius Albuquerque

Fonte: Tribuna do Norte

Nada mais abstrato que dinheiro

Esse texto do Luli é magnífico!

Estou pensando em repiti-lo toda a semana!!! rs

A forma mais fácil de ver um trabalho valorizado é tornar clara sua importância.

junho de 2008 – Revista Webdesign nº 54

Pouco importa o momento em que está na carreira, o designer sempre enfrentará um corpo-a-corpo com uma das forças mais angustiantes de seu trabalho: o orçamento. Isso não significa apenas que ele gaste demais ou compre o que não precise (todos sofremos desse mal, pouco importa a profissão) mas que enfrente uma dificuldade enorme em cobrar por seus serviços. E mesmo quando finalmente consegue chegar a uma fórmula para calcular o valor das peças que cria, a resistência que enfrenta em seu cliente costuma ser gigantesca: não importa o valor, ele sempre será considerado caro demais.

A dificuldade em se estabelecer um orçamento é compartilhada com arquitetos, músicos, cenógrafos, artistas plásticos, atores e profissionais das áreas chamadas de “criativas” em geral. O produto que entregam não pode ser medido em gramas, centímetros ou litros. Nem mesmo em horas: certas idéias geniais são criadas em segundos enquanto outras podem demorar uma eternidade. Isso sem contar que o processo ainda pode ser sabotado por bloqueios, variações de humor ou outras greves das fontes produtoras.

O grande problemas que as peças de valor intangível enfrentam é que elas são… bem, intangíveis. O termo vem do latim e quer dizer “aquilo que não pode ser tocado” mas que não é, por isso, menos importante. Música, por exemplo, é completamente inútil do ponto de vista racional, mas viver sem ela é como viver sem perfume, beleza, alegria ou cor: um baita desconforto. Esse tipo de grandeza sensorial, que não se comunica através de símbolos mensuráveis, mas se expressa através de sentimentos, foi associado a experiências místicas em muitas culturas. Em um mundo que transferiu o mistério da transcendência para a máquina e os processos digitais, ela é o máximo da grandeza “virtual”.

Essas forças imateriais da percepção parecem mágicas por causa de uma espécie de fundamentalismo do pensamento ocidental. Ao levar ao pé da letra algumas das idéias de Platão amplificadas pelas três grandes religiões, o homem criou uma falsa oposição entre o “abstrato” e o “concreto”, como se a idéia do que é uma maçã pudesse ser separada do fruto, ou como se o amor pudesse existir sem a pessoa amada. Em uma velha piada, um filho pergunta ao pai o que significa “abstrato”. O pai responde que é aquilo que não pode ser tocado. O filho, então, pergunta: “como Deus ou como um espinheiro?”

Na verdade as duas noções são igualmente abstratas e dependem da relação que se estabelece com elas. Uma maçã, como um layout ou um ser humano, sempre será parecida com outros elementos da sua mesma classe e, ao mesmo tempo, completamente diferente de seus companheiros. Como uma maçã não pode ser definida em termos absolutos, aceita-se que uma determinada categoria, medida em valores absolutos de peso, tamanho, grau de amadurecimento e procedência seja “correta” – e se despreza o resto.

Em grandezas intangíveis não é assim tão fácil. Não existe o layout ou a cor ou a música corretas porque cada pessoa reage a estímulos de forma diferente. Ao montar um projeto de comunicação visual o designer precisa se basear em estimativas e testar combinações para conseguir a resposta mais adequada. Como tons em uma música ou temperos em uma comida, essas combinações não são fáceis nem exatas porque cada novo ingrediente interage com todos os demais e interfere no resultado final.

Designers criativos costumam ser curiosos e apresentar interesse por quase todas as outras áreas de conhecimento. Eles só não se interessam por aquelas que lidam com valores quantificáveis, como Engenharia e Economia. Pelo contrário, parece haver um desprezo mútuo entre os usuários de HP e os de Macintosh, no melhor estilo cigarras vs. formigas. É uma pena.

As áreas de arte e finanças não são opostas, mas complementares. Você pode até ter uma grande idéia usando apenas uma dessas formas de conhecimento, mas vai ser muito mais eficiente se usar as duas – e elas sempre estarão à disposição.

Por isso, ao apresentar uma proposta de design, use termos financeiros. Os objetivos foram bem definidos? Pois bata o pé até que o sejam, ninguém constrói uma estrada sem saber aonde ela vai dar. Seu projeto vai aumentar o tempo de uso? Diminuir o número de páginas? Tornar as opções mais claras? Estimular o consumo? Aumentar a lucratividade? Reduzir custos de suporte? Reduzir tempo de programação? Tornar o usuário mais satisfeito? Pois então diga isso claramente. Se possível, quantifique, exemplifique, demonstre.

Não faça aquele sujeito que tem uma baixa capacidade de abstração estética “supor” coisas. Nada é pressuposto.

E tudo tem seu preço. Se possível, divida o (re)design em partes e tente classificá-las em ordem de importância e preço. Algo que dê trabalho, custe caro e seja irrelevante deve ser evitado. E o contrário deve ser priorizado. Ao se comportar dessa forma, o designer mostra que é um especialista em termos que o seu cliente é capaz de entender. Melhor: em termos que tornam difícil combater ou rejeitar. Para o seu cliente, gosto se discute, números não. Você pode mostrar o contrário – e, no processo, chegar a uma negociação saudável em que ambas as partes ficarão satisfeitas.

Por mais que os artistas ou os técnicos tentem enganá-lo, saiba que nenhuma área funciona sozinha. Equilibrá-las é o que cria algo novo e funcional, bonito e prático.

Esse é o maior desafio da carreira de qualquer profissional.

Fonte: www.luli.com.br

Falando em vender produtos e entregar emoções….

No mercado de commodity é difícil para uma marca se diferenciar pelo simples fato de que a concorrência oferece o mesmo produto. Por isso, é cada vez mais necessário que as empresas deste setor ofereçam um diferencial emocional para o consumidor para que se crie um vínculo com eles. Neste mercado, as marcas consideradas mais fortes levam vantagem sobre as outras porque normalmente são elas as primeiras a apresentarem o produto ou oferecerem os mesmos de forma mais simples, explicativa ou com maior valor agregado.

Sabendo da dificuldade de se diferenciar, a Suvinil buscou o relacionamento com o consumidor e também com formadores de opinião, a fim de dar credibilidade à imagem da empresa. Por isso, a Suvinil patrocina a Casa Cor – mostra de arquitetura, decoração, design e paisagismo – que, de acordo com Fernanda Dall’Orto, Gerente da marca, está totalmente alinhada ao posicionamento da empresa e sempre fará parte do calendário da Suvinil.

Se no mercado em geral o vínculo emocional entre marcas e consumidores já é de suma importância para o sucesso nas vendas, quanto o assunto é commodity este vínculo deve ser elevado ao cubo, segundo Karina Milaré, Diretora de Planejamento da TNS Research International. Este é o principal desafio das empresas que compõem este mercado e será preciso mais do que uma simples ação de Marketing para diferenciar grãos de arroz de marcas diferentes.

Produtos iguais para consumidores diferentes

Num mundo em que muitos produtos acabam ficando commoditizados por não desenvolverem grandes diferenciais, a marca líder provavelmente foi a primeira que apareceu no segmento, entregou um diferencial de produto ou ainda criou uma conexão emocional que fez o consumidor despertar para a marca, segundo Karina, da TNS. Mas, as empresas que chegaram “atrasadas” não precisam perder as esperanças. “Para ganhar espaço no mercado de commodity sem ter sido a primeira a entrar no ramo, o jeito é criar uma conexão emocional e, consequentemente, um diferencial de marca”, diz Karina em entrevista ao Mundo do Marketing.

Para a própria Gerente da marca Suvinil, Fernanda Dall’Orto, o mercado de atuação da empresa não deve ser considerado commodity pelo fato da diferenciação de produtos dos concorrentes. Mas, no final, o que se vende é tinta e por isso a marca investe em branded content. Prova disso são as dicas de Marcelo Rosenbaum – criativo do quadro Lar Doce Lar do programa Caldeirão do Huck – no site Suvinil e em revistas.

A Suvinil fornece as tintas para o quadro e esta é uma maneira que a empresa percebeu para divulgar a marca através de formadores de opinião. “No mercado de tintas tem muito formador de opinião. Pode ser o pintor, o arquiteto, o decorador e até o balconista e eles têm atuação mais forte que em outros segmentos de consumo”, conta Fernanda Dall’Orto ao site.

Enaltecendo os diferenciais

O relacionamento da Suvinil com profissionais é baseado no Clube Amigo Suvinil. Este programa oferece a troca de informações com profissionais para que eles saibam qual a melhor forma de aplicar a tinta. Esta foi uma ideia que surgiu da necessidade dos consumidores da empresa de entregar o serviço para um profissional mais bem preparado e evitar o desperdício de uma mão-de-obra ruim.

Além de melhorar o serviço prestado pelo pintor, a Suvinil também oferece cursos para o consumidor que pretende aplicar a tinta sem contratar um profissional. “Entendemos que consumidores de classes mais baixas fazem o serviço de pintura, enquanto os mais favorecidos preferem pagar por um pintor. Mas também existem os consumidores que fazem por hobby, para se distrair”, entende Fernanda.

A Suvinil é uma marca forte e isso é cada vez mais relevante num cenário em que o mercado está caminhando cada vez mais para que muitos produtos virem commodities. Apesar da oportunidade que este setor oferece para que empresas se diferenciem através de ações mais emocionais, poucas praticam esta estratégia e este é o grande desafio para elas. “Por mais que a gente fale de emoção, pouca gente faz isso ainda. Muitas empresas focam em características do produto e poucas estão explorando bem o potencial emocional. O mercado não está tão maduro a ponto de cada marca identificar seu diferencial”, acredita Karina Milaré.

Commodity como tema de painel

Alinhada ao mercado de moda e qualidade de vida, a Suvinil cria alternativas criativas para estar perto do seu consumidor. “A tinta é peça chave em uma decoração de ambiente e a cor tem um vínculo com a moda. Por isso, divulgamos um estudo de tendências de cor”, afirma Fernanda Dall’Orto, da Suvinil. De acordo com ela, a tinta sem cheiro da marca é uma forma de contribuir com o bem estar dos consumidores. “Com esse produto não é preciso dormir fora de casa no dia da pintura e isto diminui o transtorno”, aponta.