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Concorrência Criativa, Learn Startup e a eterna mania de fazer sem planejar…

Há um tempo atras, estava conversando com um amigo, empreendedor serial.

Ele citou o uso que fez de uma determinada ferramenta que se auto classificava como de “concorrência criativa”, para design. Traduzindo, o camarada queria uma logomarca… Mas não queria pagar pelo trabalho de um designer. Nas palavras dele, não tinha verba, porque o empreendimento era muito novo. Uma startup. Desta forma, ele não tinha como “gastar” com a criação de uma marca por um designer e encontrou essa ferramenta onde, por módicos R$ 350,00, ele poderia analisar e escolher entre dezenas de opções. Sugerindo modificações e somente ao escolher uma, o “designer” contemplado, receberia o “valor” do “projeto“.

Bem, confesso que fiquei um pouco enjoado com a conversa.

Argumentei sobre qualidade do trabalho, sobre estudos que devem ser feitos, planejamento, adequação ao publico que a marca deve atingir e etc. Nenhum argumento era capaz de emocionar. Tudo que ele enxergava era: preço irrisório e centenas de opções para que ele escolhesse e manipulasse o trabalho até que ficasse exatamente como ele queira – nenhuma preocupação com o perfil do cliente, com publico que estava sendo buscado. Gosto pessoal, apenas.

Totalmente hermético a qualquer argumentação, fechou questão no assunto dizendo existir todo um mercado que não pode arcar com os altos “custos” de um designer quando está a criando uma startup “que nem sabe se vai dar certo”. Mas que precisa de uma “marca” para “se jogar no mercado” e “errar rápido”. Pensei comigo: Se a ideia é errar rápido amigo, vc ganhou! Errou logo de cara!

O assunto morreu. Mas ficou na minha cabeça mais do que a questão da “concorrência criativa”, a questão da falta de planejamento.

Startups.

Qualquer idéia que pareça razoável hoje, já está sendo “startapeada” amanhã. É o empreendedorismo!
Mas a coisa anda rápida demais. Estão confundindo alguns conceitos.
Learn Startup, por exemplo. Fala em errar rápido, em constantes correções de direção, em prototipagem, em um produto mínimo que possa ser avaliado pelo usuário e ir melhorando e validando. Tudo lindo!

Só que eu vejo muita gente esquecendo de que, tudo isso, começa a valer depois que vc amadurece a sua idéia e planeja o negócio. Define público, procura conhecer esse publico e define as formas de atuar junto a ele.
Resumindo: antes de montar sua startup, é preciso estudar e planejar. Saber onde está pisando. Não se monta um negócio somente porque “parece uma boa ideia”.
A chance dele dar certo assim? Pequena.

Eu vejo muita gente, confundindo errar logo com começar errando.
Muita gente “achando” que learn startup é fazer-logo-um-site-com-a-ideia-antes-que-outra-pessoa-faça…
Planejar e procurar antecipar a reação tanto do publico como da concorrência e de eventuais problemas é sempre a diferença entre crescer e quebrar.

Planejar não é custo. É economia. Reduz o retrabalho e amplia os seus conhecimentos sobre o mercado e o público onde você pretende atuar. Com mais conhecimento, você pode até mesmo prever erros e antecipar movimentos do mercado.

Criar uma marca que fale corretamente com o seu mercado é reduzir os seus futuros gastos com marketing. qualquer marca pode dar certo. A questão é o e$forço necessário para isso. Quanto mais planejada e focada nos objetivos da empresa, menos ela vai demandar investimento para funcionar. É nessa hora, que vc percebe que economizar no INVESTIMENTO que você faz na sua marca é criar gastos elevados mais a frente.

Já existe um movimento entre as startups, que valoriza a mentoria de mercado e o coaching profissional. Desta maneira, formam-se melhores empreendedores. Mais preocupados em planejar e conhecer, antes de errar rápido. Mas tem muito o que melhorar ainda.

Eu vejo o melhor perfil de mentoria, como uma reunião de dois profissionais: um que conheça o mercado foco e outro de planejamento, de projeto. Um designer. O profissional de mercado, vai dar uma visão do que espera o empreendedor. O designer, vai conseguir passar um visão sistêmica de como projetar e planejar a futura empresa com foco em determinado mercado.

No Brasil, infelizmente, ainda não existe visão por parte do empresariado, para a participação de designers em planejamento estratégico. O design thinking tem aberto espaço em grandes corporações. Mas, o mercado nacional é fundamentalmente composto de empresas pequenas e médias. É com elas que trabalhamos a maior parte do tempo. Elas devem ser nosso foco principal de atuação, porque compõe o maior mercado. E porque é onde mais precisam de nós, para crescerem e se tornarem competitivas no mercado nacional e internacional.

Mesmo o planejamento normal, é raro em empresas pequenas e médias. Esse comportamento, explica porque grande parte das empresas costuma fechar em menos de cinco anos. E também porque a grande maioria das empresas brasileiras não consegue competir nos mercados internacionais.

Um desafio para o design nacional é modificar esse cenário.
É difundir o planejamento, o conceito de projeto. É demonstrar as vantagens de ser estratégico. Criar cenários. Antever.
Transformar as pequenas e médias empresas nacionais de sobreviventes em competidoras capazes de atuar em todos os mercados.
Melhorar resultados, produtos, serviços, experiências.

Não vai ser fácil. Mas pode ser bem divertido. 🙂

Para quem está esperando que eu fale mais sobre “concorrência criativa”, um caso pessoal:

Há algum tempo um cliente/amigo, me pediu para “fazer uma marca” para uma startup onde ele estava envolvido. Mas, ele disse que os outros sócios havia decidido que a marca seria feita por “concorrencia criativa”e portanto definido a verba em R$300,00. Assim, ele pedia que como favor especial eu fizesse a marca por esse valor.
Bem, respondi que teria imenso prazer em fazer a marca para ele DE GRAÇA, em deferência ao nosso relacionamento, porque trabalhar por aquele valor erra impossível.

 

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