Obsoleta. A inovação ficou…

Desde ontem, eu já lí e re-li  este artigo várias vezes. O manifesto que ela cita e comenta também. Ele está aqui e MERECE ser lido.
Sou muito fã da Ligia Fascioni. Dos artigos e do pensamento dela.

Eu preferiria colocar somente o link aqui. Mas sei que no final das contas, muitos deixam de seguir e ler pois já tem outras coisas abertas e se passam para próxima, foi-se a audiência! rsrsrs

Então, abaixo, o artigo da Lígia e mais uma vez, aqui, o original (‘traduzido’ pelo Google) que ela também linkou e merece muito a visita e a leitura!

Inovação obsoleta

Foto: Hans PollnerFoto: Hans Pollner

Essa semana tive a oportunidade de ler um artigo interessantíssimo do Umair Haque, diretor do Havas Media Lab, chamado “The Awesomeness Manifesto“. É difícil traduzir awesomeness, que seria mais ou menos a capacidade de impressionar, causar espanto. Pensei em substituir por incrível, sensacional, deslumbrante e até mesmo impressionante, mas esses são adjetivos e o Haque acrescentou o “ness” no final justamente porque queria um substantivo. Aí fica difícil traduzir, né?

Mas não faz mal, usamos o original e vamos ao que interessa: Haque diz que a palavra inovação soa como uma relíquia da era industrial e que, por isso, a própria palavra precisa ser inovada.

Ele lembra que inovação implica em obsolescência. Inovação foi um conceito pioneiro criado pelo economista Joseph Schumpeter e utilizá-lo implica também em aceitar a teoria da destruição criativa, onde o mercado se sustenta à base da substituição do antigo pelo novo. Só que não dá mais para continuar nesse ciclo maluco, os resultados estão aí para quem quiser ver. À luz da sustentabilidade e do conceito de interdependência, obsolescência é que é um conceito obsoleto.

Haque lembra também que a inovação trata basicamente de empreendedorismo ou seja, toda boa ideia precisa se transformar em negócio lucrativo para merecer o título de inovação. Seguindo esse princípio, o que se percebe é quase tudo já foi inventado e não apenas isso: está à venda em qualquer esquina ou site. Poucas coisas fundamentalmente novas estão sendo criadas nos dias atuais. A inovações cada vez mais caminham para encontrar maneiras novas de vender, apenas isso.

O autor lembra que o desafio do século XXI não é desenvolver a criatividade para vender mais coisas; a questão é construir coisas melhores e com menos impacto para o planeta.

Outra questão sensível é que poucos admitem é que a inovação, como existe hoje, na verdade, não inova. A inovação consiste, basicamente, em desenvolver coisas comercialmente novas. Essa abordagem já se mostrou desastrosa na última crise causada por consumidores compulsivos, onde a pseudo riqueza gerada virou vapor rapidinho.

A questão que Haque coloca é: o custo da inovação compensa seus benefícios?

Ele acredita que não e apresenta o conceito de awesomeness que consegue traduzir mais a contento as necessidades de um mundo interdependente, onde não dá mais para construir e vender sem se preocupar com o impacto dessa ação para o planeta e os que nele vivem. Umair Haque fundamenta o awesomeness em 4 pilares:

Produção ética: O mantra do século XX, muito bem embalado pela inovação empreendedora era “compre barato, venda caro, crie valor!“. O século XXI não há de produzir nada que mereça o rótulo de impressionante sem que se considere a questão ética em todo o seu ciclo de vida.

Ousadia: O conceito de inovação submete a criatividade às leis do mercado, de maneira que a coisa inovadora, às vezes, é muito menos que emocionante — é chata mesmo. Do ponto de vista da inovação formal, o iPhone não tem muito a contribuir; mas é uma das coisas mais impressionantes já vistas em termos de interface e encantamento até onde se sabe. A questão é que para a Apple o foco é deslumbrar, isso nunca sai da mente de quem está trabalhando no projeto.

Amor: As pessoas precisam estar encantadas com o que fazem para fazê-lo bem. Haque deu o exemplo das lojas Apple, onde os funcionários não estão lá para vender, mas para compartilhar o encantamento e a paixão por estarem ali. Eles realmente curtem fazer o que estão fazendo e esse foco fica muito claro quando se compara essa atitude com lojas comuns, onde os vendedores são instruídos unicamente para vender.

Valor de verdade: a expressão mais usada no mundo corporativo é “agregar valor“. Ora, segundo Haque, mais valor é uma ilusão. A maioria das empresas consegue criar um pequeno valor, nada significativo que justifique o uso indiscriminado do termo. Valor de verdade, grande, para Haque, tem que ser sustentável. Isso significa realmente fazer melhor, não apenas adicionar botões em um telefone ou sabores em um refrigerante.

O pessoal das antigas, que se sente seguro nas práticas de inovação do século XX sente-se ameaçado e desafiado com o conceito de awesomeness, porque eles o consideram nebuloso e impreciso. Mas a geração M, como Haque chama o pessoal com a cabeça no século XXI (mais tarde falarei desse povo) sabe muito bem reconhecer um awesomeness quando vê um, uma vez que o conceito faz todo o sentido, é profundo e tem ressonância nas suas práticas e filosofia de vida.

O parágrafo final é tão definitivo que vou traduzi-lo quase literalmente:

Você pode ser inovador, mas você é awesomeness? Para a maioria, a resposta é: não. Game over: no século XXI, se você é meramente inovador, prepare-se para se tornar obsoleto pelo awesomeness“*

E sua empresa? É inovadora ou awesomeness?

_______________

*Na verdade, em vez de “tornar obsoleto” ele usou “disruptado“, num jogo de palavras com a inovação disruptiva, também conhecida como inovação radical, que torna obsoleto tudo o que havia antes.

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

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  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Cristina De Luca and Crossmedia. Crossmedia said: Artigo muito interessante. RT @pbprado: Obsoleta. A Inovação ficou… http://bit.ly/3lvvOH via @addthis [...]

  2. Oi, Paulo!
    Obrigadão pelo link!
    Não sabia que vocês também trabalhavam com design de serviços e nem conhecia o blog.
    Muito bacana, vou frequentar!
    Abraços!

  3. pbprado says:

    Oi, Ligia.
    Sim, design de serviços e creio que há algum tempo sem ter me ‘ligado’ no nome. Só cheguei na nomenclatura, através de um artigo do Amstel (Usabilidoido). Olha, sempre um prazer receber você por aqui. \o/

  4. Como McLuhan, assumo que inovação “significa um ambiente de serviços criado pela tecnologia. e é o ambiente de serviço que muda as pessoas. não a tecnologia”.

    Neste sentido acho que estamos no início de um movimento de inovação sem precedentes na história da humanidade.

    a internet não é um meio de comunicação. é uma infraestrutura que abriga infinitos ecossistemas. em alguns deles, os indivíduos e comunidades que os compõem têm consciência de que formam um ecossistema expandido na rede e começam a atuar em função disso. na maioria dos casos, não têm consciência e consideram que a rede é só um facilitador de comunicação.

    de que inovação Umair Haque e vc estão falando? A rede é um ambiente vivo, evolui exponencialmente, mas é muito jovem como ambiente para dar vazão a todo o seu potencial. movimento que depende tb do entendimento das pessoas e indivíduos c que compõem os ecossistemas do mundo tradicional.

  5. [...] valor nas vendas. A princípio, essa ‘coisas’ de agregar valor, depois de inundado pela awessomeness, fica um tanto chata, cansativa… Mas é uma realidade e se vista da forma certa, é uma forma [...]

  6. pbprado says:

    Olá, Rodrigo.
    Bem, a questão é que, Umair Haque, não fala especificamente de internet. Fala do todo. Do ambiente de negócios. Da indústria, do varejo… de todo o ambiente que, trocou a inovação verdadeira, aquela que melhora, inventa, re-inventa e amplia; pela ‘inovação comercial’… aquela que ‘inventa’ novas maneiras de vender a mesma coisa, mais, mais caro e mais longe.
    A proposta dele é que nos voltemos para criar produtos melhores, sustentáveis, que poroporcionem melhores experiências. Que os serviços tenham esse foco. Melhorem a vida das pessoas, agregem. Ensinem. Enfim, trocar o foco do essencialmente comercial que é hoje, para o que estou chamando de Real, onde o produto, o serviço ou a combinação dos dois vai ser mais eficiente para o ‘consumidor’.
    Isso não significa abrir mao do comercial – é até um novo desafio: mostrar isso ao público e convencê-lo.
    Nem querer ‘vender menos’ – em parte até significa…rs.
    Mas apenas, fazer melhor. Vender melhor. Viver melhor.
    Com certeza, na internet podemos ser awesomeness, assim como o podemos ser em todas as áreas.
    Mas, não é somente de internet que estamos falando. ;)

    Grande abraço e obrigado pela participação!

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